As eleições presidenciais costumam trazer uma pergunta recorrente para quem está pensando em comprar, vender ou investir em imóveis: o resultado das urnas pode mudar o mercado imobiliário?
A resposta curta é: sim, mas não de maneira automática.
Uma eleição não faz, sozinha, o preço de um apartamento subir ou cair. O que pode produzir efeitos sobre o setor são as mudanças — ou expectativas de mudanças — em variáveis como inflação, taxa de juros, disponibilidade de crédito, confiança de consumidores e empresas, geração de renda, política fiscal e programas habitacionais.
Esse foi justamente o tema discutido por Mauro Vanti Macedo, fundador e CEO da homehunters, no Momento Imobiliário, dentro do Pan News Entrevista.
A partir dessa discussão, vale entender o que já aconteceu após o primeiro turno das eleições de 2026 e, principalmente, quais fatores realmente importam para quem acompanha o mercado de imóveis.
O que aconteceu no primeiro turno das eleições de 2026?
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%. Os dois candidatos disputam o segundo turno da eleição presidencial.
O resultado provocou uma reação rápida no mercado financeiro.
No primeiro pregão após a eleição, em 5 de outubro, o dólar à vista caiu 4,12%, encerrando próximo de R$ 5,00. No mesmo dia, o Ibovespa chegou a avançar mais de 8% durante as negociações. A leitura predominante entre investidores naquele momento estava relacionada às expectativas sobre política fiscal e econômica em um eventual novo governo.
Mas existe uma ressalva fundamental: uma reação positiva ou negativa da Bolsa e do câmbio em determinado dia não significa que essa trajetória permanecerá.
Em 13 de outubro, por exemplo, o dólar voltou a fechar acima de R$ 5,02 e o Ibovespa recuou 1,05%, refletindo realização de lucros e novas incertezas.
Para quem acompanha imóveis, portanto, é mais importante entender os mecanismos econômicos por trás desses movimentos do que tentar antecipar o mercado a partir de uma única sessão.
Como uma eleição pode afetar o mercado imobiliário?
O mercado imobiliário é particularmente sensível ao ambiente econômico porque envolve valores elevados e, frequentemente, compromissos financeiros de longo prazo.
As principais conexões acontecem por cinco caminhos:
- taxa de juros e custo do financiamento;
- inflação e renda das famílias;
- confiança do consumidor e disposição para assumir dívidas;
- oferta de crédito pelos bancos;
- políticas habitacionais e regras para financiamento.
É por isso que o debate político acaba chegando ao imóvel mesmo quando não existe nenhuma mudança direta na legislação imobiliária.
Qual é a relação entre Selic e financiamento imobiliário?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e influencia diferentes modalidades de crédito e investimentos.
Desde 17 de setembro de 2026, a meta da Selic está em 13,75% ao ano, após uma sequência de reduções promovidas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central.
Para o mercado imobiliário, uma trajetória sustentável de juros menores tende a ser favorável.
Isso acontece porque financiamentos de imóveis normalmente possuem prazos longos. Pequenas diferenças nas taxas podem gerar impactos relevantes tanto na prestação mensal quanto no custo total da operação.
Mas é importante fazer uma distinção:
uma queda da Selic não significa que a taxa do financiamento imobiliário cairá na mesma proporção ou imediatamente.
Os bancos também consideram custo de captação, risco, prazo, disponibilidade de recursos, perfil do comprador e estratégia comercial.
Ainda assim, um ambiente de juros estruturalmente menores tende a favorecer a expansão do crédito.
Por que juros menores podem aquecer a compra de imóveis?
Imagine uma família que possui renda suficiente para assumir determinada prestação mensal.
Se os juros do financiamento diminuem, essa mesma prestação pode passar a financiar um valor maior.
Na prática, ocorre uma expansão do poder de compra imobiliário.
Além disso, consumidores que haviam adiado a decisão de compra por considerarem o financiamento caro podem voltar ao mercado.
Esse aumento potencial da demanda ajuda a explicar por que incorporadoras, proprietários, investidores e compradores acompanham tão atentamente o comportamento das taxas.
Mas não existe uma regra segundo a qual juros menores automaticamente significam imóveis mais caros.
Preço também depende de localização, estoque disponível, quantidade de lançamentos, renda dos compradores, qualidade do imóvel, liquidez e equilíbrio entre oferta e procura.
Dólar mais baixo ajuda o mercado imobiliário?
O efeito é mais indireto.
Uma valorização do real pode reduzir o custo de determinados produtos, máquinas, equipamentos e insumos importados e, dependendo do contexto, ajudar a diminuir pressões inflacionárias.
Menos inflação pode, por sua vez, criar melhores condições para uma política monetária menos restritiva.
A cadeia possível é:
câmbio → inflação → juros → crédito → capacidade de compra → demanda por imóveis.
Mas essa sequência não é automática.
Custos da construção civil também dependem fortemente de mão de obra, materiais nacionais, terrenos, logística, impostos e condições específicas de cada empreendimento.
Por isso, dizer simplesmente que “o dólar caiu, então os imóveis ficarão mais baratos” seria uma conclusão inadequada.
Juros altos ajudam o mercado de locação?
Em determinados períodos, sim.
Quando comprar um imóvel financiado se torna mais difícil ou oneroso, parte das famílias adia a aquisição e continua morando de aluguel.
Isso pode aumentar a demanda por locação em algumas regiões e categorias de imóveis.
Essa relação ajuda a entender por que mercado de venda e mercado de locação nem sempre se movimentam da mesma maneira.
Em cidades como Campinas, inclusive, é necessário observar cada segmento separadamente.
Um apartamento compacto próximo a polos de trabalho e universidades pode apresentar uma dinâmica de locação completamente diferente de uma casa em condomínio ou de um apartamento de alto padrão.
Na experiência de mercado da homehunters em Campinas, essa leitura localizada é particularmente importante: não existe um único “mercado imobiliário de Campinas”, mas diversos micromercados que respondem de formas diferentes à renda, localização, crédito e perfil de demanda.
Os imóveis podem se valorizar se os juros caírem?
Existe uma relação possível, mas novamente não automática.
Quando o crédito melhora, mais compradores podem entrar no mercado.
Se a demanda crescer mais rapidamente do que a oferta de bons imóveis em determinada região, existe espaço para pressão sobre os preços.
Isso ocorre especialmente em mercados com:
- pouca oferta;
- boa localização;
- procura consistente;
- infraestrutura consolidada;
- imóveis com características difíceis de substituir;
- lançamentos abaixo da demanda existente.
Por outro lado, regiões com excesso de estoque ou imóveis pouco aderentes às preferências dos compradores podem ter comportamento diferente.
Por isso, uma expectativa de queda dos juros não deve ser usada isoladamente como argumento para afirmar que qualquer imóvel irá se valorizar.
Eleições podem mudar os programas de habitação?
Sim. Política habitacional é uma das áreas que pode mudar conforme as prioridades de cada governo.
Atualmente, o Minha Casa, Minha Vida atende famílias urbanas com renda bruta mensal de até R$ 13 mil. Na modalidade Classe Média, podem ser financiados imóveis de até R$ 600 mil, com prazo de até 35 anos, observadas as demais condições do programa.
Na campanha de 2026, o plano apresentado por Flávio Bolsonaro propõe retomar a denominação Casa Verde e Amarela, estabelecendo como meta financiar 2,5 milhões de moradias e buscando ampliar o acesso ao crédito habitacional. Trata-se, neste momento, de uma proposta eleitoral, e não de uma política já implementada.
Essa distinção é essencial.
Programas habitacionais dependem não apenas da eleição presidencial, mas também de orçamento, regulamentação, fontes de financiamento, decisões do Congresso e execução administrativa.
O mercado de imóveis populares pode sentir mais os efeitos do crédito?
Em geral, os segmentos mais dependentes de financiamento são também os mais sensíveis às condições de crédito.
Para grande parte das famílias brasileiras, especialmente na aquisição do primeiro imóvel, o financiamento não é apenas uma alternativa: é o instrumento que torna a compra possível.
Por isso, mudanças em:
- renda máxima dos programas;
- teto do valor dos imóveis;
- subsídios;
- taxas de juros;
- possibilidade de utilização do FGTS;
- percentual financiado;
podem ampliar ou reduzir significativamente o público capaz de adquirir um imóvel.
Em 2026, por exemplo, o Minha Casa, Minha Vida Classe Média passou a permitir imóveis de até R$ 600 mil e renda familiar de até R$ 13 mil, ampliando o universo atendido pela política habitacional.
Quem já financiou um imóvel pode se beneficiar se os juros caírem?
Possivelmente.
Uma alternativa importante é a portabilidade do crédito imobiliário.
A portabilidade permite transferir o financiamento de uma instituição financeira para outra que ofereça condições mais favoráveis.
Segundo o Banco Central, esse é um direito do cliente. No processo, a nova instituição apresenta condições como taxa nominal e efetiva, Custo Efetivo Total (CET), prazo, sistema de amortização e valor das prestações.
Isso significa que, se as condições do crédito imobiliário melhorarem significativamente no futuro, quem já possui financiamento pode avaliar se existe vantagem econômica em migrar.
Mas comparar somente a taxa anunciada é insuficiente.
É necessário analisar:
- CET;
- saldo devedor;
- prazo restante;
- seguros;
- custos envolvidos;
- sistema de amortização;
- valor final das prestações.
No crédito imobiliário, uma diferença aparentemente pequena pode representar um valor relevante ao longo de muitos anos.
SFH, SAC e Tabela Price são a mesma coisa?
Não — e essa é uma confusão relativamente comum.
O Sistema Financeiro da Habitação (SFH) é um regime de financiamento imobiliário submetido a determinadas regras.
Já SAC e Price são sistemas de amortização, ou seja, formas diferentes de calcular como o saldo devedor será pago ao longo do tempo.
Como funciona o SAC?
No Sistema de Amortização Constante, a amortização do principal permanece constante e a parcela de juros diminui conforme o saldo devedor cai.
Por isso, as prestações normalmente começam maiores e tendem a diminuir ao longo do financiamento.
Como funciona a Tabela Price?
Na Price, o encargo formado por juros e amortização tende a permanecer constante durante o prazo contratado, embora seguros e outros componentes possam provocar variações.
No início, proporcionalmente mais dinheiro é destinado aos juros e menos à amortização. Essa relação se inverte progressivamente.
Segundo a Caixa, considerando a mesma taxa e prazo, o SAC normalmente reduz o saldo devedor mais rapidamente e tende a resultar em menor total de juros, enquanto a Price pode oferecer prestação inicial menor. Não existe, porém, um sistema universalmente melhor: a escolha depende da capacidade financeira e do planejamento de cada comprador.
Vale a pena esperar o resultado da eleição para comprar um imóvel?
Não existe uma resposta universal.
A eleição é apenas uma das variáveis que afetam o mercado.
Para uma pessoa que encontrou um imóvel adequado, possui renda estável, boas condições de financiamento e pretende permanecer nele por muitos anos, tentar prever exatamente o melhor momento macroeconômico pode não ser a estratégia mais relevante.
Para outro comprador, cuja decisão depende fortemente de crédito, acompanhar uma eventual redução adicional das taxas pode fazer sentido.
O ponto principal é separar duas perguntas:
“O que acredito que acontecerá com a economia?”
e
“Este imóvel, por este preço e nestas condições, faz sentido para minha realidade?”
A segunda costuma ser muito mais importante para uma decisão imobiliária responsável.
E para quem pretende investir em imóveis?
O investidor também deve evitar decisões baseadas exclusivamente na eleição.
Juros menores podem tornar ativos imobiliários relativamente mais atraentes e facilitar o crédito. Por outro lado, cada investimento precisa ser analisado de acordo com:
- preço de aquisição;
- potencial de aluguel;
- vacância;
- liquidez;
- localização;
- condomínio;
- manutenção;
- perspectiva de desenvolvimento da região;
- oferta futura.
Em Campinas, isso exige observar não apenas indicadores nacionais, mas também características específicas de cada bairro e produto imobiliário.
Um bom cenário macroeconômico não transforma automaticamente um imóvel ruim em um bom investimento.
O que compradores, proprietários e investidores devem acompanhar agora?
Mais do que tentar prever o vencedor ou reagir às oscilações diárias do mercado financeiro, quem acompanha imóveis deveria prestar atenção a alguns indicadores:
- Taxa Selic: ajuda a entender a direção geral das condições financeiras.
- Taxas efetivas de financiamento imobiliário: são mais relevantes para o comprador do que a Selic isoladamente.
- Custo Efetivo Total: permite comparar propostas de crédito de forma mais realista.
- Inflação: afeta poder de compra, custos de construção e capacidade de pagamento.
- Emprego e renda: são determinantes para demanda residencial.
- Oferta de imóveis: poucos produtos diante de muita demanda podem sustentar preços.
- Políticas habitacionais: mudanças em limites, subsídios e financiamento podem ampliar o público comprador.
- Mercado local: bairro, tipologia, faixa de preço e liquidez continuam sendo decisivos.
O primeiro turno mudou o mercado imobiliário?
O primeiro turno mudou principalmente as expectativas do mercado financeiro.
A queda expressiva do dólar, a alta da Bolsa e a redução dos juros futuros observadas logo após a votação mostraram uma reação dos investidores ao novo cenário eleitoral.
Mas expectativas financeiras e realidade econômica não são a mesma coisa.
Para que uma mudança política se transforme efetivamente em crédito imobiliário mais barato, maior capacidade de compra e novos investimentos, vários fatores precisam se confirmar ao longo do tempo.
É justamente por isso que decisões imobiliárias devem combinar cenário macroeconômico com análise concreta do imóvel e do mercado local.
O que as eleições de 2026 realmente significam para o mercado imobiliário?
O resultado eleitoral importa porque pode alterar prioridades econômicas, fiscais e habitacionais.
Mas o mercado de imóveis não se resume ao nome que ocupa a Presidência.
O que determinará o desempenho do setor será a combinação entre juros, inflação, crédito, renda, confiança, oferta, demanda e política habitacional.
Para quem compra um imóvel para morar, o foco continua sendo encontrar uma propriedade adequada às necessidades e ao orçamento.
Para quem vende, o essencial é compreender preço, demanda e liquidez do segmento.
Para investidores, é necessário analisar retorno e risco.
E para quem já possui financiamento, um eventual ambiente de taxas menores pode abrir espaço para renegociação ou portabilidade.
Em todos esses casos, informação e análise são mais úteis do que tentar antecipar movimentos políticos ou financeiros de curto prazo.
Perguntas frequentes sobre eleições e mercado imobiliário
1. As eleições podem fazer o preço dos imóveis cair?
Não existe uma relação direta. Eleições podem alterar expectativas econômicas, que influenciam juros, crédito, renda e investimentos. O preço de cada imóvel também depende de localização, oferta, demanda e características específicas.
2. Se a Selic cair, o financiamento imobiliário fica mais barato?
Pode ficar, mas não necessariamente na mesma velocidade ou proporção. Os bancos consideram outras variáveis além da Selic, como custo de captação, risco e condições de mercado.
3. Qual é a Selic atualmente?
Desde 17 de setembro de 2026, a meta da taxa Selic está em 13,75% ao ano.
4. Vale a pena esperar os juros caírem para comprar um imóvel?
Depende da situação do comprador. Taxas menores são favoráveis, mas preço do imóvel, renda, entrada disponível, prazo e condições de negociação também precisam ser considerados.
5. Quem já tem financiamento pode conseguir juros menores depois?
Sim. Uma das possibilidades é avaliar a portabilidade do crédito para outra instituição financeira que ofereça condições mais vantajosas. É importante comparar o CET, e não apenas a taxa nominal.
6. Qual é a diferença entre SAC e Price?
No SAC, as prestações normalmente começam maiores e diminuem com o tempo, enquanto o saldo devedor cai mais rapidamente. Na Price, o encargo de amortização e juros tende a permanecer constante, com uma prestação inicial geralmente menor.
7. Qual é o limite atual do Minha Casa, Minha Vida Classe Média?
Em 2026, a modalidade atende famílias com renda mensal bruta de até R$ 13 mil e permite financiar imóveis de até R$ 600 mil, observadas as regras do programa.
8. Eleições afetam também o aluguel?
Indiretamente, sim. Quando comprar financiado fica mais difícil, parte das famílias pode permanecer por mais tempo na locação. Mas preços dos aluguéis também dependem de renda, oferta, localização e demanda local.
Conclusão
As eleições de 2026 colocaram novamente juros, câmbio, política fiscal e habitação no centro das discussões sobre o futuro da economia brasileira.
Para o mercado imobiliário, entretanto, o mais importante não é tentar adivinhar o resultado do próximo movimento político, mas compreender como essas variáveis afetam crédito, renda, oferta e demanda.
O primeiro turno já mostrou que expectativas políticas podem provocar movimentos significativos nos mercados financeiros. O impacto sobre imóveis, entretanto, acontece de forma mais gradual e depende de condições econômicas que precisam se consolidar.
Em um mercado diverso como Campinas, essa análise precisa ir ainda mais longe: bairros, faixas de preço e tipologias respondem de formas diferentes às mudanças econômicas.
É justamente nessa combinação entre cenário macroeconômico e conhecimento local que uma decisão imobiliária se torna mais bem fundamentada.
Pensando em comprar, vender, alugar ou investir em Campinas e região?
Antes de tomar uma decisão baseada apenas nas notícias sobre juros ou economia, vale entender como o cenário atual se aplica ao tipo de imóvel e à região que você procura.
Converse com a equipe da homehunters e conheça as opções e análises que podem ajudar você a tomar uma decisão imobiliária mais segura e estratégica.
