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Inteligência artificial no mercado imobiliário: por que o atendimento é apenas o começo

Inteligência artificial no mercado imobiliário vai muito além do chatbot

A inteligência artificial no mercado imobiliário já deixou de ser apenas uma tendência distante. Ferramentas de IA começam a fazer parte da rotina de imobiliárias, administradoras e outros negócios do setor, principalmente no atendimento inicial de clientes e na produção de conteúdos.

Mas esse é apenas o começo.

No Momento Imobiliário, quadro do PAN News, Mauro Vanti Macedo, fundador e CEO da homehunters, recebeu Luiz Paulo, conhecido como LP, profissional com experiência tanto no mercado imobiliário quanto no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial.

A conversa trouxe uma reflexão importante: a próxima evolução da IA nas imobiliárias não está somente em responder leads 24 horas por dia. Ela está na capacidade de integrar a tecnologia aos diferentes processos internos de uma empresa.

Financeiro, locação, contratos, atendimento, cadastro, jurídico e administração estão entre as áreas que podem passar por essa transformação.

A primeira onda da IA nas imobiliárias

O uso mais visível da inteligência artificial no mercado imobiliário atualmente acontece no relacionamento inicial com o cliente.

São ferramentas capazes de:

  • receber um lead;
  • iniciar uma conversa;
  • entender o tipo de imóvel procurado;
  • fazer uma triagem inicial;
  • apresentar algumas opções;
  • responder perguntas básicas;
  • prestar atendimento fora do horário comercial.

Esse modelo permite que uma pessoa interessada em comprar ou alugar um imóvel encontre um primeiro ponto de contato mesmo à noite, nos finais de semana ou em outros momentos nos quais uma equipe humana não estaria disponível.

Durante a entrevista, LP classifica esse movimento como uma espécie de primeira onda da inteligência artificial nas empresas.

Nessa fase, a tecnologia aparece principalmente em atividades mais perceptíveis pelo público, como atendimento, geração de textos, imagens, vídeos e conteúdos para redes sociais.

O potencial, entretanto, é significativamente mais amplo.

A segunda onda: levar a inteligência artificial para dentro da operação

O próximo passo é fazer a IA deixar de ser apenas uma ferramenta de comunicação externa e passar a participar da operação da imobiliária.

Esse movimento significa analisar processos repetitivos, atividades que consomem tempo e grandes volumes de informação para identificar onde agentes de IA podem apoiar profissionais.

Na prática, uma imobiliária possui muito mais processos do que aquilo que o cliente enxerga.

Por trás de uma venda ou locação existem:

  • cadastros;
  • documentos;
  • contratos;
  • informações financeiras;
  • atendimento a proprietários;
  • atendimento a inquilinos;
  • análise de informações;
  • comunicação entre departamentos;
  • tarefas administrativas;
  • acompanhamento de processos.

É justamente nesse ambiente que existe uma das maiores oportunidades para aplicação da inteligência artificial.

IA no financeiro

O departamento financeiro de uma imobiliária executa diversas tarefas operacionais e responde frequentemente a solicitações de clientes.

Uma inteligência artificial conectada aos sistemas e aos procedimentos corretos poderia, por exemplo, auxiliar em demandas relacionadas a documentos financeiros, segunda via de boletos e consultas rotineiras.

O objetivo não é simplesmente substituir pessoas, mas reduzir o volume de tarefas repetitivas e permitir que a equipe tenha mais tempo para situações que exigem análise, negociação ou relacionamento.

IA na análise de contratos

Empresas que atuam fortemente com locação trabalham diariamente com grande volume de contratos e documentos.

Ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar na leitura, organização e identificação de informações contidas nesses materiais.

Esse tipo de aplicação pode servir como suporte para profissionais responsáveis por analisar documentos, desde que exista supervisão humana e processos adequados de validação.

IA nos processos de locação

Outra possibilidade discutida durante o programa é utilizar inteligência artificial como apoio nos processos de cadastro relacionados à locação.

A ferramenta pode ajudar a organizar informações apresentadas por candidatos, identificar documentos pendentes e estruturar dados para facilitar a análise realizada pela equipe responsável.

Em processos que envolvam decisões financeiras, jurídicas ou cadastrais, entretanto, a tecnologia deve atuar como apoio e não como substituta automática da análise profissional.

O futuro está na IA personalizada para cada imobiliária

Usar uma ferramenta genérica e criar uma inteligência artificial realmente integrada à empresa são coisas diferentes.

Essa é uma das principais mudanças discutidas no Momento Imobiliário.

Grande parte das empresas ainda utiliza plataformas desenvolvidas por terceiros, com níveis variados de personalização.

A tendência apontada na conversa é que as imobiliárias avancem para soluções cada vez mais adaptadas ao próprio negócio.

Isso significa fornecer contexto sobre:

  • processos internos;
  • produtos;
  • serviços;
  • regras;
  • linguagem;
  • cultura organizacional;
  • forma de atendimento;
  • procedimentos de cada departamento;
  • informações específicas da empresa.

Quanto maior o contexto disponibilizado de maneira estruturada e segura, maior tende a ser a capacidade da IA de oferecer respostas coerentes com aquela organização.

O que significa uma IA com a personalidade da empresa?

Uma inteligência artificial personalizada não significa simplesmente colocar o nome da imobiliária em um chatbot.

O conceito é mais profundo.

Imagine duas imobiliárias utilizando o mesmo modelo de inteligência artificial.

Mesmo que a tecnologia utilizada como base seja semelhante, as respostas deveriam ser diferentes porque:

  • as empresas possuem processos diferentes;
  • trabalham com públicos diferentes;
  • possuem políticas próprias;
  • utilizam linguagens diferentes;
  • têm culturas organizacionais distintas;
  • oferecem serviços diferentes.

Por isso, a personalização passa pelo conhecimento fornecido à ferramenta.

A IA precisa compreender o contexto daquele negócio.

Esse processo pode transformar uma ferramenta genérica em um assistente muito mais alinhado às necessidades da empresa.

Assistentes especializados podem ser a próxima etapa da IA

Outro conceito discutido durante a entrevista é a criação de assistentes ou agentes especializados.

Em vez de uma única inteligência artificial tentar resolver todas as tarefas da empresa, podem existir diferentes agentes especializados em determinadas funções.

Uma imobiliária poderia, por exemplo, estruturar:

Assistente comercial

Apoio ao atendimento inicial, identificação das necessidades do cliente e organização das oportunidades comerciais.

Assistente de locação

Auxílio na organização de informações, documentos e etapas relacionadas ao processo de locação.

Assistente financeiro

Suporte para consultas administrativas e tarefas financeiras rotineiras previamente definidas.

Assistente jurídico

Apoio na organização e consulta de contratos, documentos, procedimentos e informações jurídicas autorizadas.

Assistente administrativo

Automação e organização de tarefas internas recorrentes.

O ponto central não está somente na existência desses agentes, mas na possibilidade de fazer com que diferentes áreas da empresa utilizem inteligência artificial de maneira integrada.

IA deve conhecer processos, não apenas imóveis

Para uma imobiliária, ter uma ferramenta capaz de localizar imóveis rapidamente é útil.

Porém, conhecer o catálogo de imóveis representa apenas uma pequena parte da operação.

Uma inteligência artificial realmente integrada precisa compreender também como a empresa trabalha.

Isso envolve ensinar à tecnologia perguntas como:

  • Como acontece uma locação?
  • Quais documentos são necessários?
  • Como determinada solicitação deve ser direcionada?
  • Qual departamento é responsável por determinado assunto?
  • Como um processo deve ser executado?
  • Quais são as regras internas?
  • Que linguagem deve ser utilizada com o cliente?

Quanto maior a maturidade da implementação, menos a inteligência artificial funciona como simples chatbot e mais se aproxima de uma camada tecnológica de apoio ao negócio.

O objetivo não é apenas atender mais rápido

Velocidade é uma das vantagens mais evidentes da inteligência artificial, mas não deveria ser o único objetivo.

A discussão apresentada por LP coloca outro ponto no centro da estratégia: eficiência operacional.

Quando uma tecnologia consegue reduzir atividades repetitivas, organizar informações e apoiar diferentes departamentos, a empresa pode usar melhor seus recursos.

Isso permite direcionar profissionais para atividades nas quais o componente humano continua fundamental, como:

  • negociação;
  • relacionamento;
  • interpretação de situações complexas;
  • estratégia;
  • tomada de decisão;
  • atendimento consultivo;
  • resolução de conflitos.

Assim, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta para “responder rápido” e passa a fazer parte da estratégia operacional.

Inteligência artificial substitui o profissional imobiliário?

A discussão sobre IA inevitavelmente gera essa pergunta.

No contexto apresentado durante o programa, a proposta não é retirar o profissional do processo, mas utilizar tecnologia para apoiar tarefas que podem ser automatizadas ou aceleradas.

O mercado imobiliário envolve decisões financeiras relevantes e uma forte dimensão humana.

Comprar, vender ou alugar um imóvel exige compreender necessidades, negociar interesses, avaliar contextos e criar relações de confiança.

A inteligência artificial pode organizar informações e executar determinadas tarefas com rapidez.

Já o profissional continua desempenhando um papel importante na interpretação, relacionamento e tomada de decisões.

Por isso, um dos cenários mais coerentes é a combinação entre tecnologia e expertise humana.

O que muda para o cliente?

Embora muitas dessas transformações aconteçam nos bastidores, o cliente tende a perceber seus efeitos.

Uma operação mais integrada pode contribuir para:

  • respostas mais rápidas;
  • informações mais organizadas;
  • menor dependência do horário comercial para demandas simples;
  • redução de etapas manuais;
  • maior continuidade entre departamentos;
  • atendimento mais contextualizado.

Isso não significa eliminar o relacionamento humano.

O objetivo é justamente permitir que a tecnologia cuide melhor das tarefas operacionais para que as pessoas tenham mais disponibilidade para aquilo que exige atenção individual.

O que muda para as imobiliárias?

Para as imobiliárias, a inteligência artificial representa uma oportunidade de rever processos.

Antes de simplesmente contratar uma nova ferramenta, é necessário entender:

  1. quais atividades consomem mais tempo;
  2. quais processos são repetitivos;
  3. onde existe retrabalho;
  4. quais dados estão disponíveis;
  5. quais sistemas precisam conversar entre si;
  6. quais tarefas podem ser automatizadas com segurança;
  7. quais decisões precisam continuar sob responsabilidade humana.

Esse diagnóstico é importante porque implementar inteligência artificial não significa apenas adquirir tecnologia.

É também uma decisão de gestão.

A IA imobiliária está entrando em uma nova fase

O ponto central da conversa entre Mauro Vanti Macedo e Luiz Paulo é que o mercado está evoluindo de uma fase de experimentação para uma utilização mais estratégica.

A primeira fase mostrou às empresas o que ferramentas como ChatGPT e outros modelos poderiam fazer.

Agora surge uma pergunta mais importante:

Como a inteligência artificial pode ser aplicada especificamente à realidade de cada empresa?

É nessa etapa que entram personalização, agentes especializados, integração com processos internos e conhecimento sobre o contexto da organização.

Para o mercado imobiliário, essa transformação pode alcançar praticamente toda a jornada — do primeiro contato de um interessado até atividades administrativas realizadas depois da assinatura de um contrato.

Como a inteligência artificial pode ser usada em uma imobiliária?

A inteligência artificial pode ser utilizada em imobiliárias para atendimento inicial de leads, triagem de clientes, organização e leitura de contratos, apoio a processos de locação, tarefas financeiras e administrativas, produção de conteúdo e criação de assistentes especializados para diferentes departamentos. A tendência é que as empresas avancem de ferramentas genéricas para soluções personalizadas, treinadas com seus próprios processos, serviços, regras e cultura. O objetivo é aumentar a eficiência operacional e permitir que os profissionais concentrem seu trabalho em relacionamento, negociação, estratégia e decisões que exigem análise humana.


Perguntas frequentes sobre inteligência artificial no mercado imobiliário

1. Como a inteligência artificial já é usada no mercado imobiliário?

Atualmente, uma das aplicações mais comuns é o atendimento inicial de leads. A IA pode conversar com interessados, identificar necessidades e auxiliar na busca inicial por imóveis, inclusive fora do horário comercial.

2. IA pode ser usada além do atendimento ao cliente?

Sim. A tecnologia pode apoiar áreas como locação, financeiro, contratos, jurídico e administração, especialmente em tarefas relacionadas à organização e processamento de informações.

3. Uma imobiliária pode ter uma inteligência artificial própria?

Uma empresa pode personalizar soluções de IA com informações sobre seus processos, serviços, linguagem e cultura. Isso permite que a ferramenta ofereça respostas mais contextualizadas do que uma IA utilizada apenas de forma genérica.

4. O que são agentes de inteligência artificial para imobiliárias?

São assistentes especializados em tarefas ou departamentos específicos. Uma empresa pode estruturar, por exemplo, agentes voltados ao comercial, financeiro, locação, jurídico ou atendimento.

5. A inteligência artificial pode substituir corretores de imóveis?

A IA pode automatizar e apoiar diversas tarefas operacionais, mas atividades como negociação, relacionamento, interpretação de necessidades e decisões complexas continuam dependendo fortemente da atuação profissional.

6. Qual é a principal tendência da IA para imobiliárias?

Uma das tendências discutidas no programa é a passagem de uma IA focada somente em atendimento para soluções integradas à operação, personalizadas de acordo com os processos e características de cada empresa.


Conclusão: muito além do chatbot

A inteligência artificial no mercado imobiliário está apenas começando a revelar seu potencial.

O primeiro atendimento automatizado foi uma porta de entrada. A transformação mais profunda tende a acontecer quando essa tecnologia passar a apoiar diferentes departamentos e compreender verdadeiramente os processos de cada empresa.

Financeiro, contratos, administração, locação, comercial e jurídico podem fazer parte dessa nova estrutura.

Mais do que adotar uma ferramenta porque a inteligência artificial está em evidência, o desafio das imobiliárias será identificar onde ela realmente gera eficiência e melhora a experiência do cliente.

A tecnologia pode acelerar processos.

Mas estratégia, relacionamento e confiança continuam sendo construídos por pessoas.

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